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26/11/2019 - 14h30m

Intérpretes de libras chamaram a atenção durante a 12ª Conferência do CEAS

Os profissionais se revezaram para passar todo o conteúdo discutido no evento

Intérpretes de libras chamaram a atenção durante a 12ª Conferência do CEAS

Por Fabíola Aguiar

 

Nos dias 11 e 12 de novembro deste ano, foi realizada em Maceió, a 12ª Conferência Estadual de Assistência Social, em que cerca de 91 representantes eleitos nas Conferências Municipais de Assistência Social, assistentes sociais, conselheiros tutelares, e demais profissionais ligados ao SUAS (Sistema Único de Assistência Social), discutiram vários temas. Entre eles “Assistência Social: Direito do Povo, com Financiamento Público e Participação Social”.

O evento contou ainda com a presença da ex-ministra Márcia Lopes, que enfatizou a importância da resistência e união de todos os envolvidos no processo de assistência social, a fim de garantir direitos já adquiridos pela constituição de 1988, quando a área de assistência social foi pela 1ª vez, incluída nas políticas públicas.

Diversas propostas foram apresentadas e deliberadas. E todas levadas a Conferência Nacional Democrática de Assistência Social – CNDAS, que acontece em Brasília, nesta semana.

Mas, um dos pontos altos do evento, foi a participação expressiva dos profissionais intérpretes de libras Kelly Oliveira e Fabrício Felix que durante a Conferência tiveram a responsabilidade de passar aos participantes surdos, todo o conteúdo discutido nos dois dias.

Por meio de revezamento, Kelly e Fabrício puderam colocar em prática o que institui a Lei  Nº. 12.319/ 10 regulamentando a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e que obriga a inserção de tradutor de libras em ambientes de repartições públicas.

 

LIBRAS

A linguagem de sinais, ou gestual, existe em todo o mundo. Relevando a surdez como uma experiência visual, popularizar a linguagem de sinais, garante ao surdo a possibilidade de reconhecimento e legitimação desta forma de comunicação, desprezando qualquer forma de padronização, de comportamento ou tentativa de normalização do sujeito surdo. Cabe ressaltar também que a utilização das libras facilita a comunicação entre os surdos, que passam a se compreender como uma comunidade que tem características comuns e devem ser reconhecidas como tal.

Para Isabel Alvim, participante do evento, professora de libras e delegada da AAPPE – Amigos e Pais de Pessoas Especiais, foi muito importante a presença dos intérpretes de libras na conferência pra se chamar atenção sobre o tema. “É preciso que a sociedade esteja preparada pra nos entender, nos ajudar. Eu por exemplo, quando preciso de algum serviço que envolva saúde, educação, lazer, ou justiça, encontro muitas barreiras. E não quero ter que todas as vezes chamar um parente meu pra interpretar pra mim". Afirmou a professora que participou da conferência com o objetivo de diminuir as diferenças e lutar pela causa dos surdos mudos.

Larissa Oliveira, outra participante da 12ª Conferência chamou atenção para o uso das verbas que o governo recebe para investir na inserção e contratação de profissionais intérpretes de libras em todos os setores da sociedade. ”A gente é humano, e a sociedade precisa conhecer melhor e valorizar as pessoas surdas. E precisamos cobrar do poder público, a garantia dos nossos direitos. Ter profissionais que falam libras aqui no evento é essencial pra isso.” Acrescentou a educadora física.

Segundo a organização do evento a participação dos intérpretes de libras foi muito elogiada por todos. Não só pelas pessoas que são surdas, mas também por quem não era. E, serviu de exemplo pra outros eventos públicos que são realizados em Alagoas, que embora, sejam obrigatórios, não oferecem essa oportunidade. “Nós que fazemos parte da assistência social, temos que ser espelho para a inserção desse público nas discussões e deliberações na área. Temos que lutar pra dar vez e voto aos profissionais de libras e incentivar a participação de pessoas que não falam e não ouvem em nossos eventos. Inclusive quando informamos nos folhetos a presença dos intérpretes, muitas pessoas fizeram questão de vir a conferência”. Informou Audrey Trevas, um dos organizadores da 12ª Conferência.

Foi realmente algo bonito de se ver. A dedicação, o cuidado e o profissionalismo dos intérpretes durante o evento. “É muito bom se sentir útil, e poder ajudar a passar as informações, a quem é privado de falar e ouvir. Mas que sabe que pode contar com pessoas como eu e a Kelly, pra se comunicarem com o mundo. Isso me deixa muito feliz.” Afirmou Fabrício Felix, um dos intérpretes da conferência.

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